Sob o Chapéu


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Enviado em Uncategorized por inanna.flores no Agosto 9, 2009

old boy

O escorpião

Enviado em Uncategorized por inanna.flores no Agosto 7, 2009

Vi, não nego, mas esqueço

Ponta bruta, afiada, dolorosa

Era alta, só me via ansiosa

Vontade, ânsia, medo

 

Me apertava, me apertava inteira

Belo, incrível, mas impiedoso

Fobia, sabe, é admiração

É poético, e letal, o veneno

 

Tremi, em pânico, tremi

Tentei fugir, mas estava presa

Meu corpo me parava? Sua estreiteza

Limitados corpos, invasor frenesi

 

Admiração? Puro medo, frustração

Trauma e auto-destruição

Estava intacta, estava

Mas aleijada

 

Chorei, chorei, pelo que podia ter havido

Chorei porque choraria

Fui arrombada, e quedei

Enrolada, assustada

 

Estava inteira, mas não me via

Minhas mãos não respondiam

As pernas, ah, as pernas

As teria amputado sozinha

 

Fraca, incapaz, trêmula

Impotente, inútil, pequena

Morta, morta apenas

 

Inútil, inútil, inútil

E covarde.

O corpo é um fardo.

1812 telarc

Enviado em Uncategorized por inanna.flores no Agosto 5, 2009

Do jardim, os excrementos

Enviado em Predominância emotiva por inanna.flores no Agosto 5, 2009

Hoje feias, putrefeitas, enterradas

Sinto fezes do amor que me encorpava

Não morreram; defecaram

Suas brancas pétalas no chão

 

Marrons, nojentas, esquecidas

Cheiro de dejetos, restos sem vestígio

A grama pálida mergulha em lama

Um aterro sanitário, meu jardim

 

Abelhas – moscas

Minhocas – larvas

Mariposas

 

É primavera, as cobras se entrelaçam

Escorpiões se beliscam, se abraçam

As aranhas se perdem em seus braços

 

Minha terra, como nunca, absoluta

Desaba, orgulhosa, no esgoto

Desaba, sobre mim, em meu banho

Minha terra, minha casa, meu banheiro

 

Minha terra, minha casa, meu banheiro.

Presentes

Enviado em Uncategorized por inanna.flores no Abril 29, 2009

As pessoas te trocam com facilidade. Uma paixão é substituída por outra – mas a tua história não é mais lembrada. A paixão que já não te dão, poderiam, apenas por respeito, dar-te como amor. Como consideração a tudo o que foram juntos.

Mas algumas pessoas só conhecem o imediato: presentes, risadas e paixões.

A Pedra.

Enviado em Poesia reflexiva por inanna.flores no Abril 24, 2009

Sobre o endurecimento de meus ossos:

Meu interior não está frio, que gelo também é água – o homem frio é frágil, e não é nada além de sua frieza. Minha estrutura se mineralizou. Esquenta, esfria… Mas sempre firme -

inabalável.

Enviado em Uncategorized por inanna.flores no Abril 3, 2009

Não sei o que quero. Terminamos algo com o intuito de começar outro… E no fim só resta o luto pelo que findou, e a vontade irracional de voltar. O novo…? Não estamos preparados, e ele está tão distante… Novos começos são mais fáceis, e parecem iminentes quando inviáveis. Mas a viabilidade concretiza a distância… O medo vem, quando nos libertamos, e o alívio mal vive antes de virar lamentação. O que prendia faz falta por mero hábito e segurança. A prisão, à distância, também vira nostalgia… Era triste, mas previsível.

Enviado em Uncategorized por inanna.flores no Abril 1, 2009

“Espero que fique bem, e volte a escrever…” ele disse.

Parece magia.

A ele.

Enviado em Uncategorized por inanna.flores no Abril 1, 2009

Não sei o que dizer a ele. Com o fim, me sinto, enfim, eu mesma; acarinhada por meu próprio olhar… Tanto demorei para isso.

O que lhe digo? Digo-me que me sinto… Não plena, mas densa em minha pequenisse. Pequena o suficiente para me abranger.

Tenho medo de dar meus olhos ao futuro. Mas já não dói tanto sucumbir, fugir um pouco, para sentir essa coisa pequena, concentrada, que cabe em mim e não é nada além de suficiente. Antes era tão grande… Muita coisa, muitos assuntos e pensamentos. Metia os pés pelas mãos: era mais do que podia.

Suficiente. Agora apenas — suficiente.

Ateísmo

Enviado em Uncategorized por inanna.flores no Abril 1, 2009

Deus ri de mim… Boto mais fé em mim do que Ele. Deus tem tanta fé em mim quanto eu nele.

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