26/02/2008
Mais um passo ao crescimento:
Hoje engoli as lágrimas (literalmente).
Transplantes
E em oposição à eutanásia, Dr. Frankenstein.
Preguiça
Quando algo é inclassificável, o desespero. Tem que caber em algo – não posso ter que criar um juízo além dos pré-existentes em mim. Dá trabalho.
Classificação, maldita, que impede cada caso de ter seu julgamento.
Retrocesso
Lá, onde o horizonte é curvo
e a natureza se dobra em vida
e se ergue em picos ausentes
Onde sonhar é mais alto, mais feliz
mais audível
Onde as conquistas não se perderam
ou transformaram
Inertes, lindas
Eu chorando de triste comoção.
Porque dói, dói, amar tanto
e o ver e nunca perder
Por que não volta a ser o que era…
Sublime
Amo
No calar cúmplice da noite,
resignação passiva dos olhos fechados,
Sensações difusas e tatas
toque de sombra, macio
tragado à pele
Fumaça esbelta, esguia
Ascendente eterna em suas tranças
Caminhos torneados
entrecruzados
Amor nosso, belo, negro
Amar intenso no escuro
Doer em sombra
Mais uma vez, aquele tabu horrível, porém aconchegannte: eu, passiva, penso nele.
A dor de amar faz repensar o conceito de dor. Como o fato de uma dor existir pode confortar – como a solidão, ausência, dói tanto que tomamos o sofrer por companhia. Dói, doemos: o verbo parece que arde, que sente. Dói, ai. Dói…ai. Não sei por que sempre usam o substantivo; o verbo é tão mais sofrido.
Talvez por isso.
Ele é estridente, grita. É feio. Soa até engraçado: e rimos de tão desgraçados. Dói, ai, dor do amor, dor do amar – tão mais contínuo, erguido, corrente eterna. O amor é estável, inteligível… Ao que amar desliza, sorrateiro, pela compreensão. Sentimento, movimento – mudança de conjuntura, mas muda a essência.
Essência de rosa é diferente de aroma de margarida… Mas é tudo perfume de flor. É tudo sombra de vida, fragilidade do ser – porque ser tão frágil é belo, faz chorar. Ser frágil e resistir, e ainda exalar.