Simples como Ciúmes
Dor de estômago. Não sobra o vazio interno: tudo incha em inflamação, pulsando o sangue estriado. O coração esmagado entre os pulmões, prensados por minha náusea, e eu balanço como um barco à deriva.
O suor é fétido e abundante, confunde-se às lágrimas. Os olhos, sem lugar, ameaçam abdicar. Nem tremo, tal o estufamento – nem o alívio de chorar.
Possuída pelo sentimento que me quer em exclusividade. Quer me pressionar por eu buscar-me em outro. E caia, e perca os órgãos, esvazie o sangue.
O que abraço me dá espasmos. É o que, por deixar pousar olhos sobre si, mareja-me os sentidos.
Anemia, osteoporose. Choro de possessão.
Sobre Nietzsche
O triunfo de Nietzsche foi transcender os limites do que constitui a própria noção do mundo:
ele subtraiu a palavra.
Sob os Holofotes
[Narração pra escola. Tema: crítica ao consumismo. Recebi um 10,0.]
Elas andavam e riam e riam. Lugar gostoso, o Villa-Lobos — o shopping, digo. Tem as vitrines e brilho, muito.
Má, Pá e Cá resolveram, daí, comprar. Assim. Entraram na loja, a do letreiro vermelho que esmagava a entrada. Brilhava, é, linda. Puseram calças, brilhosas, cada uma de cor diferente, pois que eram diferentes todas as três meninas. Não se podiam ver as diferenças por conta do brilho, mas todos sabiam ser distintas.
Voltaram a andar, e conversar, pelo shopping, por inércia. A luz era sempre a mesma, cegante, sob a qual se guiavam a lugar indefinido. Mas inevitavelmente gostoso. E lindo.
A claridade surpria a necessidade da visão. A do tato, do paladar. Ainda, seu grave surdo descansava os ouvidos. Os pensamentos corriam eletrizados aos pisca-pisca frenéticos. Fugiam das mentes delas, loucos, e tanto fazia. Elas, andantes, nada. Não podiam senão rir e rir.
Lindo, gostoso. Não sabiam o quê, e as palavras eram aleatórias. Mas era. Tudo, nebulosamente bonito sob o ouro e a purpurina.
Mas era certo, sempre.
Citação universal
“E quando sentimos que nossas paixões não são grandes o suficiente?”
Renata Roysman
Flores e choros
Enquanto a flor ainda tiver sentido,
enquanto o buquê valer mais que as alianças
o mundo não se perdeu.
06/03/2008
Hoje, mi’a voz foi muro firme contra uma inchente.
É medo
…é o medo que se concretiza, de tão sólido.