Reflexão vazia
Reflexões me vêm à cabeça como idéias criativas. Nada mais do que entretenimento, decorrente de alguma inspiração para fazer algo novo. Vêm como arte e apenas depois viram opinião.
Perceber e identificar
A classificação troca perceber por identificar.
(quer dizer, eu vejo que vc concorda comigo, ao invés de perceber isso e me exaltar, eu identifico que ambos somos liberalistas e, como esse conceito já foi identificado pela sociedade, eu apenas percebo um algo absolutamente natural. Perceber é sentimental, identificar é lógico e frio.
Isso é uma nota pra mim mesma porque eu às vezes esqueço o que quis dizer com minhas frases…xD)
Ao Criador, da Criatividade
[proposta de redação da escola: pegar uma música e a partir dela escrever uma narração que fosse o ponto de vista do "personagem" ao qual a música se refere. Tirei 9,0.
Música: Aquarela, de Toquinho e Vinícius]
Foi só quando pintou-se o sol que o céu pôde se ver (branco). Deus pode tudo criar, mas a cor só existe quando descoberta, e assim foi ela quem gerou Deus… Criança que as amava tanto e que tanto demorou a compreendê-las. No começo, na luz branca Deus não via o azul, e assim só pôde escolher branco para o céu.
Foi o sol meu repentino nascimento: o amarelo escorrendo sobre o céu, primeiro broto nessa vasta terra fértil… Que logo, logo em seguida, semeou em mim a infância do aleatório, descoberta das cores e formas num mundo. As sementes deram minhas sombras, sombras simples, ilógicas, o adubo que fez crescer a eterna plantação azul e restringiu o céu à criação de cores mistas, diferenciando meu nascimento amarelo…
A gaivota que me tornava pingou azul clara, de uma falha branca. E eu viajei tanto, e voei num mundo bidimensional sem jamais ter me visto mover. Que sensação, que ânsia pela natureza estranha! Pelos lugares em que vivi sem nunca ter chegado, cujos nomes me vieram sabe-se lá Deus como, que nem foram escritos… Istambul… De quem de repente me perdi. Foi quando lembrei de mim – lembrar de si é parar de existir -, vendo-me novamente num pedacionho azul do papel, inert, assistindo a perdas e sonhando reencontros… Sonhando alto, voando… Como criança. Sem lembrar de nada que não luvas e guarda-chuvas de papel em meu futuro.
Meu futuro, em suspenso. Vejo apenas borbulhar na aquarela o branco turvo do tempo, que o branco é a junção e a ausência de todas as cores.
Simples
Não agüento mais
Não agüento mais a frustração da paixão ardente que vc me deu
E arrancou – aspirou
Não agüento mais o vale de desejo que ela deixou, a expectativa de reavê-la
A espera por que vc me a devolva
A espera por que vc me acenda de novo
A espera, a ansiedade por que algo em mim ao menos se mova
Sem esse batimento monotônico, monótono
Sem que seja o tropeço da raiva que às vezes me assalta
Coexistente à minha inércia preparada a um bote
sob um sol forte demais.
Te vi demais
Descobri demais
Me fez progredir demais. Meus olhos doem.
Não agüento mais esse relacionamento de um só
Essa sua plana vastidão ensolarada
sob a testa densa e desabada, inteligente, que eu vira
Não suporto mais essa minha dependência em sua maciez e calor
Esse meu amor malformado por sua alegria plana
E minhas sessões solitárias de convencimento de que seu sorriso meia-lua significa noite
abstração
alma
Já me atirei no chão à procura de janelas em seus olhos
(tentei me convencer de que sua testa as escondia)
Atéia, já vendi a alma ao diabo
Mas a verdade é simples:
Você é simples.
Suas relações são simples, seu amor é óbvio
E como dependo do seu carinho comoventemente simples
E como rôo meus dedos pela superfície plana de seus olhos
Plana, sincera, simples
E como me dói ver que uma simplicidade tão tocante
É simples demais pra me envolver…
Filósofo
O papel do filósofo não é procurar verdades mas destrinchar todas elas.
Ou não. O papel do filósofo é livre, desde que seja superior.
Racionais subjetivos
Pensamos o mundo e percebemos que as pessoas racionais muitas vezes usam a razão para argumentar preferências irracionais. Lemos Nietzsche e vemos que a isso ele chama sabiamente “advogar”. Quanta lucidez é necessária para isso! Será?
Quando o senso comum desqualifica alguém por pertencer a um certo grupo: ele diz isso porque é petista. Por que confiar plenamente só na opinião de quem não está envolvido no assunto?
Empiricamente, sem sequer assimilar, o povo sabe desse advogar (descontando os casos em que se classifica pra desmerecer). Os únicos que se perdem neste ato são os racionais.
O Saco encheu.
Hoje entendo por que a maioria das pessoas não escreve, nem suas opiniões nem sentimentos:
Cansa pensar em si mesmo.
Indivíduos e reduções à essência
Enquanto o individualismo se exalta, os ícones se disseminam. Que sociedade deliciosamente complexa em que vivemos… Como disse o economista:
“Não sei se estaremos vivos em 10 anos, mas que a situação ta empolgante pra caralho, ta!”
Quando eu for ditadora do mundo…
1- Gente burra vai ser proibida de estudar.
a. Caso haja insistência e risco de revolta geral (burros são maioria), uma biblioteca especial será oferecida. Ela será um encinerador.
b. Os burros que conseguirem estudar escondidos (parabéns!) serão escalados como bobos da corte para entreter intelectuais desocupados - filósofos - ou como sacos de pancada verbal para intelectuais necessitando aliviar o estresse.
c. Os burros que quiserem estudar mas mantiverem toda a humildade do mundo serão ensinados e poderão freqüentar professores particulares especializados que os ensinarão a pensar e, quem sabe, posteriormente até uma escola normal.
2- Minha sociedade respeitará os direitos humanos que julgar pertinentes. Com os seres humanos.
3- Minha sociedade eliminará todos os cachorros da face da terra. Qualquer outro bicho deverá ser bem tratado.
4- Burros constituirão a base da minha sociedade escravista. Serão assim devidamente encarados como coisas, vendíveis, negociáveis, não se incluindo portanto nos dois artigos acima.