Presentes
As pessoas te trocam com facilidade. Uma paixão é substituída por outra – mas a tua história não é mais lembrada. A paixão que já não te dão, poderiam, apenas por respeito, dar-te como amor. Como consideração a tudo o que foram juntos.
Mas algumas pessoas só conhecem o imediato: presentes, risadas e paixões.
A Pedra.
Sobre o endurecimento de meus ossos:
Meu interior não está frio, que gelo também é água – o homem frio é frágil, e não é nada além de sua frieza. Minha estrutura se mineralizou. Esquenta, esfria… Mas sempre firme -
inabalável.
Não sei o que quero. Terminamos algo com o intuito de começar outro… E no fim só resta o luto pelo que findou, e a vontade irracional de voltar. O novo…? Não estamos preparados, e ele está tão distante… Novos começos são mais fáceis, e parecem iminentes quando inviáveis. Mas a viabilidade concretiza a distância… O medo vem, quando nos libertamos, e o alívio mal vive antes de virar lamentação. O que prendia faz falta por mero hábito e segurança. A prisão, à distância, também vira nostalgia… Era triste, mas previsível.
A ele.
Não sei o que dizer a ele. Com o fim, me sinto, enfim, eu mesma; acarinhada por meu próprio olhar… Tanto demorei para isso.
O que lhe digo? Digo-me que me sinto… Não plena, mas densa em minha pequenisse. Pequena o suficiente para me abranger.
Tenho medo de dar meus olhos ao futuro. Mas já não dói tanto sucumbir, fugir um pouco, para sentir essa coisa pequena, concentrada, que cabe em mim e não é nada além de suficiente. Antes era tão grande… Muita coisa, muitos assuntos e pensamentos. Metia os pés pelas mãos: era mais do que podia.
Suficiente. Agora apenas — suficiente.
Ateísmo
Deus ri de mim… Boto mais fé em mim do que Ele. Deus tem tanta fé em mim quanto eu nele.
Liberdade
Sonhava com liberdade. Distante, era linda — o mundo dos sonhos. Livrei-me, os sonhos secaram; era branca. O sonho era a liberdade em si
Mas o que fazer com a liberdade em si?