Sob o Chapéu


A Pedra.

Enviado em Poesia reflexiva por inanna.flores no Abril 24, 2009

Sobre o endurecimento de meus ossos:

Meu interior não está frio, que gelo também é água – o homem frio é frágil, e não é nada além de sua frieza. Minha estrutura se mineralizou. Esquenta, esfria… Mas sempre firme -

inabalável.

Enviado em Poesia reflexiva por inanna.flores no Julho 25, 2008

Talvez ele me faça mesmo infeliz. Talvez muito a contragosto o melhor a fazer seja terminar com ele. Talvez eu esteja mesmo apenas forçando a barra e nós nunca demos certo. Talvez seja impossível ser feliz com o homem que faz de tudo por mim e que nunca vai me deixar e me será eternamente fiel. Talvez simplesmente não sirvamos um pro outro.

Talvez ele, apesar de tudo o que é, não seja o homem pra mim.

Talvez eu devesse apenas parar de pensar e lamentar que tudo não é como eu imaginava, e apenas viver e quem sabe assim eu não descobrisse, deixando de ser teimosa com minha fantasia, que eu posso ser feliz da forma como estou vivendo. Talvez devesse deixar de ter medo de não ser o mais feliz possível e me deixar ser feliz.

Na verdade, eu deveria apenas parar de deixar meu medo querer olhar muito à frente e apenas viver o presente, descobrindo uma felicidade talvez grande, ainda que talvez momentânea, mas pelo menos para descobrir a real resposta sobre o meu futuro: chegando nele.

Será que eu deveria terminar, já que nao sou feliz, sem ter medo do que vai vir depois? Por uma questao de mim mesma, talvez eu nao possa mesmo ser feliz nesse relacionamento e esteja apenas fugindo da realidade. Talvez devesse parar de enganar a ambos, eu e ele. Talvez não.

Se eu o amasse, será que teria tantas dúvidas?

Se eu não fosse tão medrosa, com tantas idéias fixas, seria que eu teria alguma dúvida?

Será que eu tenho mesmo idéias fixas, será que não são reais necessidades?

 

Será que tudo isso vai mudar?

Ai, que dor de cabeça…

Enviado em Poesia reflexiva por inanna.flores no Junho 27, 2008

não tenho estomago pra persuadir.

A Pomba

Enviado em Poesia reflexiva por inanna.flores no Junho 27, 2008

A Pomba, bicando o chão. Desaba-lhe o bico e reage, susto – susto em cada mover-se.

Assim come e se sustenta.

Reflexão vazia

Enviado em Poesia reflexiva por inanna.flores no Maio 30, 2008

Reflexões me vêm à cabeça como idéias criativas. Nada mais do que entretenimento, decorrente de alguma inspiração para fazer algo novo. Vêm como arte e apenas depois viram opinião.

Nossa terceira pessoa

Enviado em Poesia reflexiva por inanna.flores no Maio 20, 2008

É a visão de terceira pessoa (nem sempre nos colocando em lugar do mundo, mas alheios à situação sendo nós mesmos) que proporciona maior envolvimento com os prazeres e tristezas, ocasiões. Não nos trai a memória? Na lembrança, sempre nos vemos. O instante após o momento - o quando entendemos o que houve - é a avalanche de prazer.

Chão

Enviado em Poesia reflexiva por inanna.flores no Abril 13, 2008

Meus pés sumiram
O chão os engoliu.
Também nunca soube se pisava sobre a sola ou sobre o chão.
Nenhuma atenção para lás
Se era chão,
se era pé
Era tudo ilusão.
Chão
Até a língua lhe reserva vocabulário escasso
Uma e nada mais. Solo é diferente…
É pesada a palavra, não? Bruta
Ah, nunca pensei sobre o peso do chão.
Ele é uma realidade tão distante
e tão real
que esquecida.
Sobre ele é que ando a vida toda
Se alegre, chão
Triste, chão
O quê, afinal?
A vocês, não sei.
Meu chão é o ente imune ao tempo
E às mudanças
Pois que o são.
É absoluto ao ponto de ignorado
A última verdade, onde piso
Que não me larga nunca, sempre.
Meu chão é pesado – e é gozado
que se estranhe dar peso ao chão. Ele é assim tão abstrato?
- e duro.

E ao querer fugir…
Ah, onde.

Enviado em Poesia reflexiva por inanna.flores no Março 9, 2008

E quando o corpo não mais falar

E for só corpo

Foi-se o amor, e é desvario.

Flores e choros

Enviado em Poesia reflexiva por inanna.flores no Março 9, 2008

Enquanto a flor ainda tiver sentido,

enquanto o buquê valer mais que as alianças

o mundo não se perdeu.

Enviado em Poesia reflexiva por inanna.flores no Março 6, 2008

Eu nunca mais solucei depois de chorar.

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