Sob o Chapéu


Do jardim, os excrementos

Enviado em Predominância emotiva por inanna.flores no Agosto 5, 2009

Hoje feias, putrefeitas, enterradas

Sinto fezes do amor que me encorpava

Não morreram; defecaram

Suas brancas pétalas no chão

 

Marrons, nojentas, esquecidas

Cheiro de dejetos, restos sem vestígio

A grama pálida mergulha em lama

Um aterro sanitário, meu jardim

 

Abelhas – moscas

Minhocas – larvas

Mariposas

 

É primavera, as cobras se entrelaçam

Escorpiões se beliscam, se abraçam

As aranhas se perdem em seus braços

 

Minha terra, como nunca, absoluta

Desaba, orgulhosa, no esgoto

Desaba, sobre mim, em meu banho

Minha terra, minha casa, meu banheiro

 

Minha terra, minha casa, meu banheiro.

Enviado em Predominância emotiva por inanna.flores no Julho 1, 2008

Mas pelo menos agora…

Não chorei dor, agonia, lágrimas não eram pedaços arrancados..

O choro foi calmo… escorreu fino e delicado, fluido, como a sargeta…

Ou um daqueles negócios de fazer cachoeirinha que ficam no lavabo.

Enviado em Predominância emotiva por inanna.flores no Junho 30, 2008

O que amo

me ama

e não me faz feliz.

Eis o segredo da lamentação…

Enviado em Predominância emotiva por inanna.flores no Junho 19, 2008

Eu achava que ia morrer, mas que ainda assim ia agüentar.
Morrendo, desisti de agüentar e quis viver.

Enviado em Predominância emotiva por inanna.flores no Junho 18, 2008

Chorei de carinho…

Presente Excuso

Enviado em Predominância emotiva por inanna.flores no Junho 8, 2008

 

Dor saudade, nó, presente excuso

De amor vivo, dói dormente, oculto

Pulsa ao ritmo da pétala no vento

Tomba queda, voa, turvo

 

É nos ares que lateja o nome fosco

Da noite que cai, doída no escuro

Dói a lua, olho em catarata todo

Cego, alheio ao mundo, mas intruso

 

Incômodo, dor, lágrimas assaltam

Cai a chuva, chumbo sobre o muro

Cai a vida, no vento escuro e mudo

 

Cala viva, morrendo em mundo excluso 

 

 

 

 

 

Enviado em Predominância emotiva por inanna.flores no Junho 8, 2008

Preciso aprender: o maior meio de desabafar ódio é machucar o causador.

E isso não se consegue com argumentos. Só o silêncio arde como deveria.

Enviado em Predominância emotiva por inanna.flores no Maio 30, 2008

Uma sensação de pudor melancólico e frio, culpado, nostálgico.

A sensação da fuga.

Ao Criador, da Criatividade

Enviado em Predominância emotiva por inanna.flores no Maio 29, 2008

[proposta de redação da escola: pegar uma música e a partir dela escrever uma narração que fosse o ponto de vista do "personagem" ao qual a música se refere. Tirei 9,0.

Música: Aquarela, de Toquinho e Vinícius] 

 

Foi só quando pintou-se o sol que o céu pôde se ver (branco). Deus pode tudo criar, mas a cor só existe quando descoberta, e assim foi ela quem gerou Deus… Criança que as amava tanto e que tanto demorou a compreendê-las. No começo, na luz branca Deus não via o azul, e assim só pôde escolher branco para o céu.

Foi o sol meu repentino nascimento: o amarelo escorrendo sobre o céu, primeiro broto nessa vasta terra fértil… Que logo, logo em seguida, semeou em mim a infância do aleatório, descoberta das cores e formas num mundo. As sementes deram minhas sombras, sombras simples, ilógicas, o adubo que fez crescer a eterna plantação azul e restringiu o céu à criação de cores mistas, diferenciando meu nascimento amarelo…

A gaivota que me tornava pingou azul clara, de uma falha branca. E eu viajei tanto, e voei num mundo bidimensional sem jamais ter me visto mover. Que sensação, que ânsia pela natureza estranha! Pelos lugares em que vivi sem nunca ter chegado, cujos nomes me vieram sabe-se lá Deus como, que nem foram escritos… Istambul… De quem de repente me perdi. Foi quando lembrei de mim – lembrar de si é parar de existir -, vendo-me novamente  num pedacionho azul do papel, inert, assistindo a perdas e sonhando reencontros… Sonhando alto, voando… Como criança. Sem lembrar de nada que não luvas e guarda-chuvas de papel em meu futuro.

     Meu futuro, em suspenso. Vejo apenas borbulhar na aquarela o branco turvo do tempo, que o branco é a junção e a ausência de todas as cores.

Simples

Enviado em Predominância emotiva por inanna.flores no Maio 27, 2008

Não agüento mais
Não agüento mais a frustração da paixão ardente que vc me deu
E arrancou – aspirou
Não agüento mais o vale de desejo que ela deixou, a expectativa de reavê-la
A espera por que vc me a devolva
A espera por que vc me acenda de novo
A espera, a ansiedade por que algo em mim ao menos se mova
Sem esse batimento monotônico, monótono
Sem que seja o tropeço da raiva que às vezes me assalta
Coexistente à minha inércia preparada a um bote
sob um sol forte demais.
Te vi demais
Descobri demais
Me fez progredir demais. Meus olhos doem.
Não agüento mais esse relacionamento de um só
Essa sua plana vastidão ensolarada
sob a testa densa e desabada, inteligente, que eu vira
Não suporto mais essa minha dependência em sua maciez e calor
Esse meu amor malformado por sua alegria plana
E minhas sessões solitárias de convencimento de que seu sorriso meia-lua significa noite
abstração
alma
Já me atirei no chão à procura de janelas em seus olhos
(tentei me convencer de que sua testa as escondia)
Atéia, já vendi a alma ao diabo
Mas a verdade é simples:
Você é simples.
Suas relações são simples, seu amor é óbvio
E como dependo do seu carinho comoventemente simples
E como rôo meus dedos pela superfície plana de seus olhos
Plana, sincera, simples
E como me dói ver que uma simplicidade tão tocante
É simples demais pra me envolver…

Próxima Página »