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old boy
O escorpião
Vi, não nego, mas esqueço
Ponta bruta, afiada, dolorosa
Era alta, só me via ansiosa
Vontade, ânsia, medo
Me apertava, me apertava inteira
Belo, incrível, mas impiedoso
Fobia, sabe, é admiração
É poético, e letal, o veneno
Tremi, em pânico, tremi
Tentei fugir, mas estava presa
Meu corpo me parava? Sua estreiteza
Limitados corpos, invasor frenesi
Admiração? Puro medo, frustração
Trauma e auto-destruição
Estava intacta, estava
Mas aleijada
Chorei, chorei, pelo que podia ter havido
Chorei porque choraria
Fui arrombada, e quedei
Enrolada, assustada
Estava inteira, mas não me via
Minhas mãos não respondiam
As pernas, ah, as pernas
As teria amputado sozinha
Fraca, incapaz, trêmula
Impotente, inútil, pequena
Morta, morta apenas
Inútil, inútil, inútil
E covarde.
O corpo é um fardo.
Presentes
As pessoas te trocam com facilidade. Uma paixão é substituída por outra – mas a tua história não é mais lembrada. A paixão que já não te dão, poderiam, apenas por respeito, dar-te como amor. Como consideração a tudo o que foram juntos.
Mas algumas pessoas só conhecem o imediato: presentes, risadas e paixões.
Não sei o que quero. Terminamos algo com o intuito de começar outro… E no fim só resta o luto pelo que findou, e a vontade irracional de voltar. O novo…? Não estamos preparados, e ele está tão distante… Novos começos são mais fáceis, e parecem iminentes quando inviáveis. Mas a viabilidade concretiza a distância… O medo vem, quando nos libertamos, e o alívio mal vive antes de virar lamentação. O que prendia faz falta por mero hábito e segurança. A prisão, à distância, também vira nostalgia… Era triste, mas previsível.
A ele.
Não sei o que dizer a ele. Com o fim, me sinto, enfim, eu mesma; acarinhada por meu próprio olhar… Tanto demorei para isso.
O que lhe digo? Digo-me que me sinto… Não plena, mas densa em minha pequenisse. Pequena o suficiente para me abranger.
Tenho medo de dar meus olhos ao futuro. Mas já não dói tanto sucumbir, fugir um pouco, para sentir essa coisa pequena, concentrada, que cabe em mim e não é nada além de suficiente. Antes era tão grande… Muita coisa, muitos assuntos e pensamentos. Metia os pés pelas mãos: era mais do que podia.
Suficiente. Agora apenas — suficiente.
Ateísmo
Deus ri de mim… Boto mais fé em mim do que Ele. Deus tem tanta fé em mim quanto eu nele.
Liberdade
Sonhava com liberdade. Distante, era linda — o mundo dos sonhos. Livrei-me, os sonhos secaram; era branca. O sonho era a liberdade em si
Mas o que fazer com a liberdade em si?
a arrumar
ciumes, tanto..
me corroendo… lagrimas…
lágrimas sao vermes abrindo caminho pela carne…
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Por esse lado gosto, por este nao gosto.
Mas isto é um sentimento organizado, meu sentimento não é assim. Nem o seu.
Vc apenas pega coisas indissociáveis e as organiza posteriormente para que vc o entenda. Possivelmente passe a entendê-lo como organizado.. Mas ele está lá, julgando seu erro.
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Meu homem. Que cuida de mim, de quem cuido tanto; nosso carinho infinito. A quem acariciar preenche qualquer silêncio… O único ser por quem se é capaz de fazer a loucura íntima de ouvir uma música em dedicação a ele. Porque já é tão parte de si que… Que essa insanidade ocorre, e nem eu saberia dizer por quê. Mas é bom. É para ele.
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Volta cansada para casa depois de uma tarde inteira de trabalho mental e ainda tem que sair para a aula de canto. Que inferno ter de ir, a mente exausta, aquela professora infernal, aquele lugar pequeno e desagradável, ter que dizer oi a todos, agüentar vocalizes, inferno!
Mamãe ofereceu carona. Tudo decantou.
Era apenas cansaço de andar.
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sabe, as palavras sao intelectuais demais
as imagens, de fato, falam
mas a musica é a palavra que sublimou antes de surgir